quinta-feira, 17 de março de 2011

A Troca de Olhares (Parte 3)


No primeiro dia de minha estadia na pensão procurei saber algumas informações sobre a jovem moça do cavalo branco. Observei sua rotina, vi que ela era como uma auxiliar para sua mãe nos afazeres domésticos do estabelecimento, reparei em todos os pequenos detalhes de seu cotidiano, o que a fazia sorrir, o que a desagradava, pude perceber que ela sempre ostentava em seus cabelos um lírio que era colhido no jardim da pensão. Era uma moça muito recatada e tímida, porem possuia um carisma muito forte, era cordial e educada com todos, simpatia e delicadeza em pessoa.
Alguns dias se passaram, e continuei a observa-la de longe, não conseguia uma aproximação , algo que pudesse iniciar um assunto, apenas alguns olhares cruzados, mas logo desviados pela vergonha da moça.
Em uma certa manhã, resolvi passar um tempo com Sombra, que estava sozinho desde minha chegada à cidade. Sentei-me ao lado de Sombra, que estava preso junto ao jardim e pus-me a conversar com meu companheiro. Alguns minutos depois que me sentei, ouvi um relincho que não vinha de Sombra, olhei para o lado, e lá estava a jovem camponesa montando sua égua Pandora. Novamente me senti paralisado, como da primeira vez que havia avistado-a, porém dessa vez, a moça não usava um lírio nos cabelos como de costume. Percebi que o canteiro com lírios estava muito perto de mim, e o mais rápido que pude e me aproximei dela para trocar algumas palavras.
Chamei sua atenção com um cordial Bom dia, e com a educação de uma ladie, ela respondeu e perguntou sobre minha estadia e se os serviços da pensão estavam de meu agrado. Respondi cordialmente e comentei que não havia uma flor em seus cabelos como de costume, por isso, havia trago aquele lírio. Ela o pegou, cheirou e colocou em seus cabelos e agradeceu dando um sorriso tímido, porem de um brilho muito peculiar. Respondi com outro sorriso.
Um silencio profundo aconteceu nesse momentos, ambos se olhavam, como se tentassem descobrir os segredos mais escondidos que o outro guardava. Esse silencio foi cortado com a jovem moça dizendo que estava de saída para colher frutos nos bosques dos arredores da cidade. A moça deu um comando e Pandora começou a andar. Antes que Pandora, a veloz égua branca, começasse a cortar os campos em direção aos bosques, perguntei seu nome, pois ainda não havia descoberto. Ela voltou os olhos para trás, e com um sorriso meigo no rosto respondeu "Estela", e depois de dizer seu nome, deu outro comando a Pandora, que dessa vez saiu como um relâmpago em direção aos bosques.
Fiquei olhando, apreciando a beleza de Estela, que sumia no horizonte montada em sua égua Pandora...


Continua...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Um lugar amistoso (Parte 2)


Após um dia de cavalgada, seguindo o rastro da jovem moça dos cabelos negros, Sombra e eu nos encontramos dentro de uma pequena vila, a mesma vila que avistei alguns dias antes.
O lugar era simples e humilde, as pessoas amistosas e bem receptivas, percebi isso pois logo ao adentrar a vila, fui recebido pelo dono da unica pensão existente nessa vila. Um senhor alto, magro e de cabelos grisalhos. Ostentava uma longa e bem cuidada barba e usava vestimentas de couro.
O velho homem me levou ate sua pensão, e para minha surpresa, amarrado em um tronco à porta da pensão estava o cavalo branco da jovem moça que me fizera adentrar naquela vila. Fiquei curioso em saber se ela estaria hospedada na pensão, e me pus a perguntar sobre o dono daquele animal. Novamente me surpreendi, quando ouvi da boca do velho as seguintes palavras : "aquela égua? É a Pandora, pertence à minha filha". A noticia de que a jovem moça se encontrava na pensão em que eu iria me hospedar me deixou muito afoito, porém, devia me conter, pois o dono da dita pensão era ninguém menos que seu pai, devo tomar cuidado para não desrespeitar a familia.
Deixei Sombra amarrado junto a Pandora, ele parecia gostar da companhia da linda égua. Entrei na pensão e logo avistei no balcão, organizando alguns livros a moça de cabelos negros. ao perceber minha entrada ela fitou-me dos pés ate a cabeça, senti um certo aconchego no olhar dela, mas quando ambos os olhares, meu e dela, se cruzaram, vi sua face avermelhando-se e rapidamente ela se virou e correu para dentro de um cômodo, que suspeitei ser seus aposentos.
Registrei-me na pensão, paguei minha estadia por duas semanas e retirei-me aos meus aposentos, pois estava anoitecendo e precisava de uma boa noite de sono para descansar meu corpo.


Continua...