sábado, 26 de fevereiro de 2011

A visão encantadora (Parte 1)


Depois de uma chuva torrencial que atrasara minha viagem em 3 dias, encontrei-me cavalgando em uma verdejante pradaria. Terras abertas, vegetação rasteira, que permitia visualizar as grandes montanhas dos reinos vizinhos e uma pequena vila situada no meio de uma delas. Fumaça e gado mostrava que não se tratava de uma vila abandonada, o que era comum por aquelas regiões, porem, tal fato não devia alterar meu trajeto e meu caminho, contrario ao da vila, continuou a ser trilhado.
A noite já não existia mais e ainda me encontrava a cavalgar, porem, a trote lento pois o cansaço mal me deixava segurar as rédeas de meu companheiro e único amigo no momento. Um cavalo que, ainda potro, foi me dado por meu falecido e honrado pai e que cresceu comigo e se tornou um leal e forte parceiro de viagens. Seu pelo preto brilhava à luz dos primeiros raios da manhã e sua crina balançava acompanhando o movimento das brisas da manhã.
A fadiga de meus músculos era eminente, e a teimosia de continuar cavalgando era atordoante, Sombra, meu companheiro sentia isso e diminuia cada vez mais o passo, ate o ponto de parar e com um pulo me jogar no chão. Cai como uma fruta madura e la adormeci.
Acordei já era manhã do dia seguinte, a queda fizera com que desmaiasse e acabei dormindo mais que o planejado. Sombra estava ao meu lado, como um guarda, zelando por meu sono. Peguei umas maças de uma macieira que havia ali por perto, alimentei-o e a mim também, e me preparei para seguir viajem.
Ao subir em meu cavalo, tive uma visão esplendorosa que me paralisou por um instante. Avistei no alto de uma colina, uma linda camponesa acompanhada de um cavalo branco como a mais limpa neve de uma manhã de inverno. A camponesa trajava um vestido simples, porem lindo e com aspecto de ter sido costurado em seu corpo, pois sua silhueta era valorizada de uma maneira estupenda. Seus cabelos compridos e negros como uma noite sem estrelas davam um ar de mistério para seu rosto. Um lírio preso em sua orelha, enfeitando os cabelos negros, completava toda a sua beleza.
Sombra relinchou, e me tirou do transe, pude perceber que a linda moça estava a montar em seu cavalo, o mais rápido que pude, apanhei uma rosa vermelha que se erguia solitária no campo e galopei em sua direção. Quando me encontrava perto da formosa camponesa, ela fez seu cavalo galopar, e como um raio, ele começou a cortar as campinas em direção a vila que havia avistado no dia anterior. Sombra foi deixado para traz com uma facilidade incrível, assustei-me, pois Sombra era o cavalo mais rápido que conhecia, vi que estava enganado.
Em minha mente, o motivo da viagem já não era tão importante, de tal modo que nem me lembrar dele eu conseguia, a unica coisa que pensava era a imagem da jovem moça do lírio nos cabelos. Guardei a rosa em minha bíblia, e mudei o rumo de minha viagem, a vila no meio da montanha era meu destino, encontrar a jovem moça era meu desafio, e poder falar com ela e entregar a rosa era meu prêmio. Devo me apressar para não perder seu rastro.
Avante Sombra....





Continua...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Infância


Quem se lembra de quando nossa unica tarefa era tomar banho na hora certa? Quando nossa unica preocupação era de quando o nosso dente de leite iria cair?
Tempos bons que não voltam mais.
As brincadeiras de criança, todas deixadas pra trás, trocadas por responsabilidades. Os brinquedos e jogos trocados por ferramentas de produção de uma sociedade capitalista.
Meninas que brincavam de boneca e sonhavam em ter sua familia tem seu sonho realizado, mas pena que, para algumas, esse sonho não passa de um pesadelo.
Meninos brincavam de bola correndo do adversário, hoje lutam uns contra os outros para conquistar seu lugar ao sol e dar uma estabilidade para sua familia.
É uma vida de cão, aonde todos perdem o brilho do olhar que tinham quando eram crianças.
É o preço por envelhecer, se tornar adulto e maduro.
Lembro que quando criança, sonhava em ser adulto e fazer minhas coisas.
Doce ilusão.
Pudera eu voltar à minha infância e somente brincar, sem preocupações, onde eu fazia de conta que tic-tac era dente e que minhas miniaturas conversavam comigo.
Sonho impossível.
Resta agora, envelhecer, me tornar adulto e tentar guardar o máximo possível do brilho no olhar que tinha na infância.

(Marcus Vinícius)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pequena Bailarina


Doce e sutil menina
Baila, sorri e sente
a deliciosa sensação de ser livre.

Pele alva como as nuvens
Olhos verdes e brilhantes como esmeraldas
Coração puro e inocente
Valioso como ouro,
e delicado como uma rosa.

O vento no campo
Molda seu vestido
que dança junto ao ritmo de seu corpo

Ó doce e sutil bailarina
dance e nos encante
ao som dos pássaros
que a cortejam de manhã.

Ó doce e sutil bailarina
conquiste o mundo ou o que quiser,
mas continue sendo apenas,
a pequena e meiga menina.


(Marcus Vinícius)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Um anjo me disse...


...que às vezes, mesmo fazendo tudo certo, as coisas podem não dar certo.
Ele tinha razão.
É o natural da vida, é o que nos faz aprender e nos torna forte para as próximas batalhas. A tristeza nos assola quando isso acontece, mas não devemos a deixar tomar conta de nossa alma e nos afundar em um poço de amarguras.
Cada insucesso deve ser encarado não como um desastre, ou como um crime, eles devem ser encarados como pequenas quedas que são necessárias em nosso caminho, são eles que nos mostram o quanto éramos inocentes ao perigo e nos torna mais maduros e experientes.
Os insucessos, ou como costumo dizer, os pilares, são os obstáculos que devem ser superados e usados para alcançar vôos mais altos, objetivos novos e misteriosos.
Portanto, ao ver que seu pilar é grande e muito íngreme, não desista e use de toda sua força para supera-lo e ver como são as coisas olhando de cima dele, aposto que a vista será magnífica.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dias melhores...


Sinto-me tão mal sabendo que perdi um sentimento tão lindo. Tinha tudo, apostei, perdi e hoje me sobra um vazio, uma angústia... uma dúvida.
O arrependimento de ter jogado tudo fora por bobagens e loucuras de uma mente inexperiente e inconseqüente, doi como uma adaga cravada em meu coração. A cada pulsação desse pobre músculo ferido, o sangue teima em escorrer e ao se misturar com minhas lágrimas, perde sua pureza e se torna escuro, como o vazio sem luz de minha alma.
Meu cérebro prega peças no meu corpo, projetando sua imagem em todos os lugares, fazendo com que meus sentidos se enganem e por um milésimo de segundo, acreditando que essa miragem é real, e quando percebo que não passa da ilusão, sinto como se faltasse chão sob meus pés e uma dor tão forte me consome, que perco a razão e me vejo perdido no vasto deserto de nada na minha cabeça. As lágrimas escorrem. Quando consigo aliviar minha mente, quanto às ilusões, o acaso e o destino começam a jogar comigo, trazendo momentos do passado de volta, que vem junto dos lugares aonde coisas felizes aconteceram.
Agora te vejo distante, sem poder te confortar, te fazer bem, cuidar de você, sinto-me de mãos atadas. Na garganta um nó me impede de respirar, e desse jeito, torço por dias melhores...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Anjos

Anjos, seres que em muitas crenças são sagrados, mágicos, intocáveis pelos seres humanos, mas que no mundo real, são pessoas de carne e osso que mesmo possuindo os defeitos que essa condição humana os oferece, não escondem o brilho, a doçura e o grande e valioso coração que possuem.
Esses anjos humanos podem estar aonde você menos imagina, orando por você e tentando fazer de tudo para que você não se machuque, ou se machuque o menos possível, pois as vezes, uns arranhões e cortes são necessários para não repetirmos os nosso erros.
Às vezes, esses anjos em sua ânsia de ajudar e ver seu protegido crescer, acabam ferindo-o e magoando-o, mas é compreensível, pois eles querem que cada mágoa e tristeza que acontecer em sua vida seja usada como degrau para crescimento. Também existem anjos que, para que seu protegido não crie uma dependência, cuidam de longe, sem se apegar muito.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Jovem Florista


"...Certa vez, um jovem florista encontrou em seu caminho de volta para a casa uma flor solitária, mas tão linda quanto os raios de sol do amanhecer de um dia de verão. Encantado com sua beleza, o florista a retirou com cuidado do chão com um pouco de terra e a colocou em um vaso que carregava consigo.
O jovem florista cuidava dessa linda flor todos os dias, era a menina de seus olhos, e depois de dá-la os melhores tratamentos, ficava admirando a beleza estonteante e apreciando o perfume inigualável da pequena dádiva da mãe natureza.
E assim ele fez, durante anos, a mesma rotina de cuidar e admirar a pequena flor. Porém, um dia, repetindo seu ritual diário, o jovem florista se feriu em um dos unicos espinhos que essa flor possuia. Ao ver o pequeno corte em seu dedo escorrendo uma ínfima, mas viva e quente gota de sangue, ele pensou em todo o tempo que havia passado cuidando dessa planta, e com a velocidade de um relâmpago sua face se tornou amarga e triste. Pela sua cabeça, passava-se pensamentos de como essa linda e delicada criatura pudesse lhe causar um ferimento, um arranhão sequer. E em um acesso de fúria resolveu partir, largando a pequenina flor para trás.
Os dias após esse acontecimento foram adversos para o jovem, aconteceram coisas que ele nunca havia presenciado ou participado, tudo era novo e um tanto quanto sedutor. Mas algo dentro dele não estava bem com isso, algo dizia que faltava alguma coisa. Aquela sensação de vazio dentro dele não era em vão. Isso perseguiu o florista até sua chegada à um vilarejo conhecido como "Senhora das Flores", pois bem nos portões de entrada desse vilarejo, uma foto de sua pequena flor, deixada para trás por causa de um arranhão, era ostentada como se ela fosse o ser mais importante do mundo.
Vendo isso, o jovem florista teve seu mistério revelado, e tudo o que sentia fez sentido e se revelou como saudade e culpa por ter sido tão mesquinho. Resolveu então voltar para reencontrar a pequenina e doce flor, mas ao chegar em sua casa, já abandonada e consumida pelo tempo, a flor não estava lá mais, havia apenas o vaso, a terra, o regador e nada mais.
O jovem florista derramou um pranto jamais derramado por ele em toda sua vida, a saudade apertava tanto que nenhum pensamento entrava-lhe à cabeça, ele apenas via a imagem da delicada flor em sua mente.
Ao se debruçar na mesa para novamente lamentar sua perda, se viu de frente a uma pequena e pálida semente, que mesmo parecendo sem vida, tentava com todas as suas forças permanecer fértil. O jovem florista a pegou e viu que ela era uma semente de sua flor perdida. Os olhos dele se encheram de um brilho jamais visto, e tudo que ele pensou foi plantar a semente e dar tudo o que ela precisar para crescer e gerar uma descendente de sua estimada flor...
Depois de alguns dias desse acontecimento, a pequena semente se mostrava forte ao tentar lutar contra a terra e gerar um pequenino e quase imperceptível ramo. E com isso o jovem florista pode perceber que a flor que ele havia perdido, se chamava Amor e a pequena e forte semente, era sua Esperança..."


(Marcus Vinícius)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Lamento de um Comandante

"...Após alguns dias de batalha, me encontro só em um abismo, envolto por um exercito de 20 mil persas. Olho para baixo e vejo todo meu batalhão morto, bravos homens que perderam sua vida por culpa de devaneios de seu inexperiente capitão, a cena me doi a dor de 1000 flechas em chamas atravessando meu corpo...
Volto meu olhar para os persas, seres sedentos por sangue que não anseiam outra coisa além de ter minha cabeça espetada em uma lança para servir de trofeu ao seu rei...
A batalha é injusta, mas essa injustiça se deve a mim mesmo, às minhas loucuras.
O crepúsculo do dia escurece o campo de batalha, la embaixo, as ondas lavam o sangue de meu honrado exercito. Aqui em cima, um bando de animais loucos por morte. O que fazer? me jogar como um cão covarde e aceitar a derrota de minha nação e desse modo, sendo o menos honrado e merecedor de ser chamado de homem? Ou brandir minha espada com todas as forças do meu ser, e buscar mais força no impossível para lutar por meu objetivo e por meu povo?
A segunda opção é tao mais saborosa, devo economizar palavras e converte-las em açoes e a cada persa abatido, um passo em direção à vitória será dado.
A determinação me inunda e a guerra de um homem só, começa...."

(Marcus Vinícius)