segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

" Por amor às causas perdidas " e outras interpretações

Domingo a noite, uma avenida iluminada e fria, o que era diferente de todas as outras noites anteriores que haviam sido infernalmente quentes. Estávamos eu e uma de minhas grandes amigas dentro do carro, voltando de um dia que foi intenso, divertido e por que não, libertador.
Do rádio improvisado que tenho em meu carro, começa uma canção... Dom Quixote... uma de minhas preferidas da minha banda preferida. Começamos a cantar...
Em certa parte da música, paramos para pensar no que ela queria dizer:
"...Seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas..."
A métrica da musica te faz ter também uma outra interpretação, talvez um "Por amor, as causas perdidas".
Mas afinal, o que valeria mais a pena?
Agir por amor, esperança, por uma causa pela qual já foi derrotado? Mesmo sem mais força, tentar resistir e continuar a lutar...
Ou então, que por amor, algumas coisas fossem deixadas para trás, mas não esquecidas, pois deram sua importância a algo maior.
Minha amiga, lembrando a historia do cavaleiro andante, obra de Miguel de Cervantes, me disse que durante a narrativa, Dom Quixote brindava muito, e ai, uma nova interpretação surge. Será que esse refrão, seria um brinde ao amor e também às causas perdidas? Aquelas causas que dolorosamente nos ensinaram grandes lições?
Ah, como são mágicas as musicas e as poesias, não só elas, mas toda a arte que desperta dentro de cada um de nós um entendimento diferente...
A interpretação é livre, mas o que importa, eu que o mundo siga girando e que em casa giro o amor seja compartilhado, sorrisos sejam mostrados, lagrimas sejam derramadas, e que todos os sentimentos sejam sentidos com total intensidade.


(Inspirado em "Dom Quixote" -Composição: Humberto Gessinger/Paulinho Galvão e em uma conversa com minha grande amiga Dandara)

domingo, 8 de dezembro de 2013

A esses anjos, agradeço. A esses anjos, ofereço a vida

A rua escura, um carro preto, solitário segue seu caminho. Dentro dele, um corpo guia o automóvel pela estrada reta sem luz. Um corpo, pois a alma já não o possui mais, a consciência vaga por campos inexplorados da mente e o coração, preocupado, triste e dolorido, bate apenas para manter o corpo vivo e firme ao volante.
Uma música toca no radio, desperta uma lembrança, o corpo reage derramando lágrimas dos olhos. As mãos apertam o volante com ira. Alma, mente e coração retornam ao corpo como uma bomba atômica e explodem em emoções. Um misto de medo, tristeza, preocupação e uma infinidade de outros sentimentos que transparecem pela face desse ser. Perdido em angustia ele recorre à anjos, anjos da guarda companheiros de jornada que sempre estão no banco do carona. Alguns deles, de forma passageira, outros, mantendo cadeira cativa, evitando que esse motorista atire o veículo do desfiladeiro mais próximo, reduzindo assim o sofrimento ao fogo e a ferro retorcido.
Mas não, os anjos o seguram, o acalmam e o controlam, toleram o pranto e choram junto do motorista. Mostram que tudo que o assusta é pequeno, acalmam e libertam seu coração, e que em toda vida, fantasmas o assombrarão, e que eles, ou até novos anjos, estarão lá, para guardá-lo e iluminá-lo, ajudando a enfrentar esses fantasmas.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Livrando-se de Fantasmas

E um a um, os fantasmas do passado vão desaparecendo, perdendo o seu poder de aterrorizar e petrificar a alma e o coração.
Sombras que causavam calafrios na espinha, hoje se mostram inofensivas, transformadas apenas em lembranças, ou simplesmente apagadas da memória.
E um coração que se assustava e se prendia a medos bobos, hoje se sente livre, por mais que, se libertar do passado pareça doloroso é sempre a melhor opção e o que mais nos ensina sobre nos mesmos.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Desejos

Que a essência nunca se perca em meio aos devaneios de um mundo mecânico e automatizado
Que o simples se torne o nosso mais valioso tesouro
Que nossa mente se torne mutável para aprender com cada compasso que a vida nos oferece
Que a cada queda, nossa força seja multiplicada
Que quando não existir mais esperanças, existam pessoas que sejam o Vento Norte, que soprem as velas de nossas caravelas de pensamentos e emoções perdidas em mares de confusões
Que os sonhos sejam ouvidos e que o coração nunca seja silenciado...
Que o amor vença o orgulho, o ódio e o rancor
Que o medo não me impeça de acreditar e conseguir
Que a dor seja apenas um degrau para o crescimento
Que meus inimigos me ensinem sobre mim mesmo
Que toda arte seja viva, extensão da alma, sentimento e pensamento...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Se Tornando Cinzas

Tal como a Ave Fênix, chega um certo momento que devemos virar cinzas para que uma fase de nossa vida mude. Devemos nos entregar a dor que queima cada parte de nosso corpo, tornando cada vestígio de sentimento em um pó sem vida e amargo, um pó que não se assemelha em nenhum aspecto ao que um dia fomos, ao que um dia sentimos.
Devemos queimar, sofrer a cada estalar do fogo que machuca nosso coração e faz com que lágrimas escorram dos olhos em um choro tão desesperado quanto ao de uma criança perdida. 
Nos entregamos a esse sofrimento, para que dessas cinzas, ressurja uma nova vida, mais madura e experiente. Mesmo que fiquem cicatrizes e marcas, elas serão como marcas de guerra, que, com a ajuda do tempo, irão doer cada vez menos.
E a cada vez que o fim de um ciclo chegar, será como se nunca tivesse sentido dor igual, sempre como uma primeira vez, e a cada fim de ciclo novas lições serão aprendidas e novas lagrimas derramadas.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Sonhos?

Hoje paro pra pensar, quem sou eu? Onde estão aqueles sonhos, as alegrias, aqueles sorrisos que tinha no passado?

Tudo perdido...

Nos robotizamos e nos tornamos escravos da rotina, nos tornamos apenas mais uma peça desse grande relógio que não para.
O tempo passa e os nosso antigos sonhos, são todos perdidos, corroídos pelo tempo, mas afinal, quem precisa de sonhos?
Os grandes amigos de antes, que antes não saiam de perto de você, hoje mal tem tempo para contar como vai a vida, velhos amigos... que hoje, assim como você, estão velhos, não tem o mesmo brilho, o mesmo sorriso.

"Meus bons amigos, onde estão..." o poeta já dizia isso, e nunca pensei que um dia iria dizer também... hoje, o que antes era real, terno e forte, se torna cinza, vagas lembranças, opacas... e junto dos antigos sonhos, essas lembranças também vão se perdendo...

Um sonhador acaba de se desiludir ou será que está se iludindo?