
No primeiro dia de minha estadia na pensão procurei saber algumas informações sobre a jovem moça do cavalo branco. Observei sua rotina, vi que ela era como uma auxiliar para sua mãe nos afazeres domésticos do estabelecimento, reparei em todos os pequenos detalhes de seu cotidiano, o que a fazia sorrir, o que a desagradava, pude perceber que ela sempre ostentava em seus cabelos um lírio que era colhido no jardim da pensão. Era uma moça muito recatada e tímida, porem possuia um carisma muito forte, era cordial e educada com todos, simpatia e delicadeza em pessoa.
Alguns dias se passaram, e continuei a observa-la de longe, não conseguia uma aproximação , algo que pudesse iniciar um assunto, apenas alguns olhares cruzados, mas logo desviados pela vergonha da moça.
Em uma certa manhã, resolvi passar um tempo com Sombra, que estava sozinho desde minha chegada à cidade. Sentei-me ao lado de Sombra, que estava preso junto ao jardim e pus-me a conversar com meu companheiro. Alguns minutos depois que me sentei, ouvi um relincho que não vinha de Sombra, olhei para o lado, e lá estava a jovem camponesa montando sua égua Pandora. Novamente me senti paralisado, como da primeira vez que havia avistado-a, porém dessa vez, a moça não usava um lírio nos cabelos como de costume. Percebi que o canteiro com lírios estava muito perto de mim, e o mais rápido que pude e me aproximei dela para trocar algumas palavras.
Chamei sua atenção com um cordial Bom dia, e com a educação de uma ladie, ela respondeu e perguntou sobre minha estadia e se os serviços da pensão estavam de meu agrado. Respondi cordialmente e comentei que não havia uma flor em seus cabelos como de costume, por isso, havia trago aquele lírio. Ela o pegou, cheirou e colocou em seus cabelos e agradeceu dando um sorriso tímido, porem de um brilho muito peculiar. Respondi com outro sorriso.
Um silencio profundo aconteceu nesse momentos, ambos se olhavam, como se tentassem descobrir os segredos mais escondidos que o outro guardava. Esse silencio foi cortado com a jovem moça dizendo que estava de saída para colher frutos nos bosques dos arredores da cidade. A moça deu um comando e Pandora começou a andar. Antes que Pandora, a veloz égua branca, começasse a cortar os campos em direção aos bosques, perguntei seu nome, pois ainda não havia descoberto. Ela voltou os olhos para trás, e com um sorriso meigo no rosto respondeu "Estela", e depois de dizer seu nome, deu outro comando a Pandora, que dessa vez saiu como um relâmpago em direção aos bosques.
Fiquei olhando, apreciando a beleza de Estela, que sumia no horizonte montada em sua égua Pandora...
Continua...
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