O silêncio da sombria e envolvente noite, faz florescer os mais sinceros sentimentos.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Coragem para voar
Pousado sobre o pico da arvore mais alta dessa região, olho a imensidão do céu, sinto sua intensidade, o que desde o acidente que quebrara minha asa, não sentira mais.
Desde aquele fatídico dia, não havia arriscado bater novamente as asas. Sentia medo, angustia. A imagem da queda e a dor de minhas asas colidindo no chão ainda eram intensas e presentes na minha cabeça. Após esse dia, passei a agir como um animal terrestre. Esqueci que possuía asas e que podia voar e alcançar as mais lindas paisagens.
Estava preso a uma existência que não era a minha. Preso ao solo.
A escalada ao alto da arvore foi a única maneira que vi de poder ter novamente 1% da liberdade que um dia eu tive. Porem fiquei mais preso do que estava antes. Quando vi novamente como era a vida do alto não quis descer mais daquela arvore. Fiquei novamente preso. E dessa vez num espaço restrito, apenas um galho. O medo de abrir as asas e me jogar era intenso e me prendia como as mais fortes correntes já forjadas pelo homem. Minha alma estava dentro de uma gaiola e não havia chance de escapar.
Era a quinta manhã que estava naquele galho. O sol nesse dia estava com um brilho tão bonito, tão acolhedor. Existiam algumas nuvens no céu, umas brancas e inofensivas, mas ainda existiam as cinzas e perigosas que podiam de uma hora para outra se tornar uma tempestade.
A minha mente se encorajou com aquele sol, minha alma se debatia dentro da gaiola como nunca havia feito. Uma voz na minha cabeça dizia: “abra as asas e pule!”.
Cheguei à beirada do galho, olhei para baixo, a vertigem bambeou minhas pernas... mas estava determinado. Eu iria me aventurar. Poderia ser a ultima vez, não sabia as condições de minhas asas que já não eram utilizadas há muito tempo.
Saltei... Abri as asas e deixei que o vento me guiasse... Senti um ar quente que me levou a uma altura que jamais havia pensado em chegar, vi tudo tão pequeno lá de cima. O medo, a dor, as lembranças que me prediam no solo, se tornaram insignificantes, perderam as forças. Minha alma havia estourado as grades da gaiola que a prendia.
O céu é incrível, me perdi apreciando sua beleza que nem percebi que estava caminhando para as nuvens cinza que estavam nas redondezas. Porem, não me assusto, sei que por traz dessa cor cinza que estremece a alma, esta o sol que brilha intenso como um diamante.
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